13 de maio de 2021

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Prevenção da Violência no Trânsito

Entre 1996 e 2010, mais de 500 mil pessoas morreram em decorrência da violência no trânsito do no Brasil. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) mostram que, se o ritmo de crescimento de 4,8% ao ano for mantido, as mortes no trânsito vão ultrapassar o número de homicídios até 2015. Os dados são alarmantes no mundo todo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) foram registradas 1,3 milhão de mortes em 178 países apenas em 2009 e a estimativa é de que o número cresça para 1,9 milhão em 2020 e 2,4 milhões em 2030. E mais de 90% dos óbitos são registrados nos países mais pobres.

Ortopedista e traumatologista especializado em violência no trânsito, Marcos Musafir aponta duas razões para os índices elevados: falta de investimento em formação e problemas estruturais. “No Brasil, existem leis que incluem uma orientação para o trânsito no currículo escolar, mas a maioria dos colégios não aplica. O segundo problema são as condições de mobilidade humana. O transporte público reduz sensivelmente o número de vítimas quando é eficiente”, afirma o médico.

Para o diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) no Rio, Fernando Moreira, medidas preventivas são fundamentais. “Depois que os acidentes acontecem, nós só podemos correr atrás do prejuízo, tratando e evitando a morte do paciente. Com a prevenção, o gasto é menor e mais eficiente, porque evita traumas, doenças associadas e perdas do ponto de vista previdenciário, como aposentadoria por invalidez”, diz.

Uma das vantagens do trabalho preventivo é evitar a ocupação dos hospitais públicos. “Na Suécia, onde o comportamento é diferente e há uma legislação mais rígida, as internações não chegam a 5%. No Rio, cerca de 60% dos leitos estão ocupados por vítimas de trânsito”, compara Musafir, destacando que os hospitais públicos atuam acima da capacidade da emergência nas grandes cidades. Reduzir este número, na opinião do especialista, permitiria tratar casos que acabam negligenciados pela ocupação dos leitos.

“No Brasil, infelizmente, a gente não tem a tradição de colocar recursos públicos no diagnóstico, na prevenção e na identificação de pontos críticos para reduzir os acidentes”, lamenta Moreira. Ele acredita que é preciso uma ação integrada das esferas públicas para melhorar o comportamento dos usuários e a infraestrutura das vias. “A integração não é feita somente pela área da saúde. Existem outras parcelas que precisam ser chamadas à ação de maneira compartilhada”, defende.

Faltam programas integrados também no setor de reabilitação de acidentados de trânsito. Professor de medicina da UFRJ e coordenador do Núcleo de Atenção Integral ao Acidentado de Trânsito (Naiat), José Mauro Braz de Lima acredita que as autoridades de saúde devem se reunir e pensar em políticas públicas que levem em conta a opinião de especialistas em acidentes. “O trânsito deve responder por um gasto que vai além dos R$ 30 milhões que o Ipea aponta. Fora os prejuízos não-tangíveis, de qualidade de vida e emocionais, que não são mensuráveis”, afirma. Por ano, o Brasil tem quase 500 mil acidentados, dos quais 20% apresentam lesões que deixam sequelas graves.

Além dos investimentos em prevenção, Marcos Musafir acha que parte da arrecadação com multas deveria ser destinada à capacitação dos profissionais de saúde, revertida para campanhas de conscientização contínuas e direcionada a estudos voltados para a melhoria da mobilidade urbana. “Tem muito a ser feito. É uma questão que deveria ser política de estado, independentemente do partido que está no poder. É uma obrigação do governo proteger a vida do cidadão”, afirma o médico.

Fonte: Trânsito Seguro.