14 de maio de 2021

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ACIDENTES DE TRÂNSITO – A REALIDADE ALÉM DAS ESTATÍSICAS

Atualmente os números de vítimas fatais de acidentes de trânsito apresentado pelos órgãos oficiais nos dão conta de que morre 35.000 pessoas ao ano em nosso país vítimas destes tipos de acidentes, o que nos dá 95 pessoas mortas ao dia, chegando a uma pessoa morta a cada 15min. Já é um número assustador e absurdo, e que infelizmente não é uma realidade só brasileira. Tanto que para a ONU (Organização das Nações Unidas) e para a OMS (Organização Mundial de Saúde) acidentes de trânsito é uma pandemia e  que se não for combatido de forma séria nos próximos 20 anos se tornará a principal causa de mortes em todo planeta.

Mas a realidade brasileira é mais assustadora do que se mostra, já que estes números são de vítimas que foram a óbito no momento do acidente, não sendo contabilizadas aquelas pessoas que falecem horas, dias ou até mesmo meses e anos depois, mas que o nexo causal da morte é o acidente de trânsito. Se estes forem levados em consideração chegaremos perto de 150.000 vítimas fatais por ano, o que daria em média 411 mortos ao dia e a assustadora média de 17 vítimas fatais por hora.

Infelizmente têm mais, estes números contabilizam apenas as vítimas diretas dos acidentes de trânsito, outros dados nos dão conta de que 62,8% dos leitos hospitalares, tanto públicos quanto privados, são ocupados por acidentados não fatais do trânsito, o que nos faz pensar, se você tem algum problema de saúde que seja necessária sua internação urgente, sua chance de conseguir uma vaga cai para menos de 40%, e isto se tratando de saúde é um risco a mais para sua vida. Com estes tristes números podemos constatar que os acidentes de trânsito não é um problema somente do Governo, em todas as suas esferas e competências, mas sim de todos nós já que a qualquer momento você poderá se tornar uma vítima direta ou indireta dele.

Mas se é tão sério este problema porque não combatê-lo de maneira mais eficaz?

Este é um problema que envolve diversos contextos como social, econômico, cultural,  histórico e educacional. O contexto social ocorre principalmente pela falta de transporte coletivo urbano decente em nosso país o que leva as pessoas a terem seu automóvel e utilizá-lo de forma individual e cada vez em menores distâncias em detrimento ao seu conforto.  Econômico porque para o governo, novamente em todas as esferas, o que se arrecada em impostos com a fabricação, venda, importação e exportação, e principalmente utilização dos veículos de todas as espécies em nosso país é muito maior do que é gasto com os acidentes de trânsito, sendo que este valor atualmente está na casa dos R$ 40 bilhões. Cultural porque desde que a Família Real Portuguesa se aportou por aqui nos idos de 1808, possuir carruagens, seges e outros veículos deste tipo já era sinal de status e devido a isso foi enraizado em nossa cultura o automóvel ou qualquer outra espécie de veículo como status. Quantas pessoas que conhecemos dão mais valor ao seu automóvel do que a sua própria família, até mesmo a sua própria vida? O contexto histórico dessa situação se dá principalmente devido ao automóvel e a velocidade impressa por ele ter surgido em nossas vidas a pouco mais de duzentos anos. O ser humano aprendeu a cair e levantar, a se defender deste tipo de acidente desde os primórdios da humanidade, mas ainda não aprendeu a lhe dar com os efeitos que o excesso de velocidade causa ao seu corpo em caso de colisões e choques.

Em minha modesta visão o principal problema que leva a violência do trânsito e todos seus braços, sendo o principal o acidente de trânsito, se dá pelo contexto educacional. Apesar de o Código de Trânsito Brasileiro prever o ensino da educação de trânsito em todas as esferas educacionais, este é um tema muito pouco abordado em nosso sistema de ensino. Temos um dos Códigos mais rigorosos de todo mundo, mas devido a não divulgação, a não aplicação e a não fiscalização correta por parte de nossos governantes, ocorre o não conhecimento e o não cumprimento por parte da população. Nas décadas de 50 e 60 o governo brasileiro numa maneira de aumentar o crescimento de nosso país incentivou a importação dos veículos para serem usados em diversas frentes, tanto no transporte privado quanto público de pessoas e cargas, o que seria uma forma de modernização acabou se tornando o começo de um grave problema, já que ao importar estes veículos não se importava a tecnologia de fabricação, o que levava ao não conhecimento destas máquinas e seu uso correto, não se importava as estradas e rodovias dos países importadores que já naquela época eram modernas e seguras e, principalmente, não se importava a educação, não só de trânsito, mas em todos os aspectos, não se importava o que ocorre ao se desrespeitar a lei. E hoje tudo que ocorre no trânsito é fruto destes aspectos e para mudarmos este triste cenário só tem um jeito, através do Respeito.

Respeito às leis em  nosso país, que sempre foi o país do jeitinho, é coisa de “bobo”, respeitar o próximo, entender que seu direito a diversão não poder desrespeitar o direito à vida do próximo. Mas isto tudo só irá ocorrer a partir do momento que entendermos que todos nós independente de sermos motoristas, passageiros, ciclista, motociclistas e até mesmo pedestre fazemos parte do trânsito, o tempo todo. Temos que fazer nossa parte e não esperar somente que os governantes façam as que lhes cabem, pois quem está atravessando a rua, dirigindo um carro, pilotando uma motocicleta ou guiando uma bicicleta é você, você que está correndo riscos neste momento.

Vamos cada um de nós fazer nossa parte para que um dia estes tristes números mudem e para que você não faça parte deles.

Por Rafael I. Ferreira

Consultor Empresarial – Especialista em Trânsito( Segurança e Prevenção de Acidentes).

Diretor Geral da CONSULTRAN RH – Consultoria e Treinamentos em Trânsito / Transporte e Gestão de Pessoas, é colunista sobre segurança no trânsito em diversos sites e mantêm um blog, http://transitoecidadaniabr.blogspot.com, com informações e dicas úteis sobre este tema e muito mais.